quarta-feira, 22 de junho de 2011

22º. Dia – Inadequada

         
                Há alguns dias levei um tombo, ou melhor, um verdadeiro "capote" na escadaria da estação de trem.

                  Eu estava com muita, mas muita pressa.

            Já faz quase uma semana e minhas pernas continuam raladas e roxas com as marcas da pancada. Quase não dói mais, mas ainda manco um pouco e as manchas ainda estão lá e logo, logo, vão sumir.

            Seria tão bom se as feridas da alma sumissem rapidamente assim. Mas há feridas que precisam apenas de um bandaid, outras, de verdadeira cirurgia. Tanto uma como outra precisam de cuidados e ainda bem que as mãos do que cura estão sempre disponíveis para vir em nosso socorro. Basta ligar no 0800 do céu! É uma ligação gratuita, paga na cruz.   
  
Eu acho que todos nós nos sentimos inadequados em algum momento de nossas vidas e esse sentimento pode ser devido a alguma ferida, escondidinha lá dentro do peito.

           Talvez nos sentimos inadequados ao nos sentirmos mais feios ou mais gordos, ou no nosso trabalho quando observamos que outros são promovidos ou reconhecidos em nosso lugar. Talvez seja em casa mesmo, quando nossos pais dão privilégios para nosso irmão quando de repente, ele nem merece. Nos sentimos inadequados quando não nos encaixamos no padrões dos grupos sociais onde a tendência é de ficarmos isolados e solitários. 

Eu me lembro de quando me senti assim. Todo mundo achava que eu precisava de um marido, como se ele fosse Deus. Aliás, ter um marido parecia ser melhor do que ter Deus, porque eu sempre era lembrada dos benefícios de se casar ao invés dos benefícios de buscar mais a Deus. Nem sempre a maioria está certa e graças a Deus por isso.

           Cair da escada me trouxe outra lembrança recente. De como eu me se sentia inferior dentro da igreja. Nunca fui o tipo de pessoa que quis agradar alguém, mas também nunca procurei problemas. Sempre na minha, sem falar muito, eu pensava algo “Se está bem para você, está, bem para mim também”. 

Eu tinha Jesus, mas por alguma razão eu achava que era menos abençoada que outros porque eu não era filha de pastor. 

Várias e várias vezes perguntava para Deus o porquê, porque eu não tinha nascido em lar cristão, porque eu me sentia tão diferente, tão menos que os outros? Porque não nasci num lar onde eu pudesse contar com a benção dos meus pais, com conselhos cristãos vindo da parte deles? Porque não ser filha de pastor era tão doloroso para mim? Os filhos de pastores que eu conhecia pareciam tão felizes, tão abençoados, com tantos amigos, tantos tantos...

            Até que um dia eu parei de fazer essas perguntas para Deus. 

         Como sabem, meus pais ainda não são cristãos, mas eu nunca duvidei de que me amavam. Quando eu era pequena minha mãe sempre me comparava com minha prima que hoje é muito minha amiga. Acho que a tal comparação me feriu mais do que pensei...

            Por um longo tempo, ficou um buraco enorme no meu coração. Eu queria muito ter nascida filha de pastor. Eu queria muito não me sentir inadequada. 

            Mas um dia, Deus me surpreendeu. Um dia chorei muito sobre isso e nesse dia Deus me fez saber e sentir que para ser feliz, para ver os planos que Ele tem para mim, eu não precisaria de ter um pai pastor. Mas eu deveria amar meus pais como Deus me amou. 

            Nesse dia, meu coração foi cheio do amor de Deus e me arrependi profundamente daquele sentimento. Me arrependi e me arrependo sempre quando me lembro das vezes que não os valorizei como mereciam. Até me emociono quando lembro disso porque é algo muito forte para mim e queria muito, muito mesmo dividir isso com vocês. Deus me fez enxergar o meu pai que a vida toda foi assim: amoroso, calmo, brando sem mesmo falar nada. Meu pai é um homem de poucas palavras. 

            Hoje me orgulho de ter nascido no lar que nasci. Deus me ama e queria que eu nascesse ali e é claro que a vontade dele é a melhor para mim. Deus me plantou ali e vou ser eternamente grata a Ele por ter me dado meus pais. É tão bom saber que minha descendência pode ser abençoada por minha causa, minha vida com Deus. Meus netos podem viver histórias incríveis com Deus porque uma inadequada como eu, recebeu o amor de Deus!

            Como eu disse, todos nós nos sentimos inadequados em alguma área da nossa vida e infelizmente seguimos a vida inteira feridos quando poderíamos ter tido a cura quando estava disponível. 

São amizades de anos separadas pelas mágoa. São relacionamentos machucados provados pelo tempo. Seria tão bom se todos pudessem experimentar da cura na alma quando corresse para o maior dos médicos. Ainda dá tempo de ir até aquela pessoa, pedir perdão... hoje ainda é o dia de reconciliação. O perdão sará a alma, constrói um futuro novo, uma linda ponte que nos leva para Deus. 

            Agradeça a Deus hoje pela sua vida, pelo lar que você tem. Talvez para você não seja bem “um lar”, mas é o lugar que Deus vai começar a transformar. Talvez você não precise cair da escada como eu para lembrar e olhar a vida de forma diferente. Emocionante.

Agora posso dormir tranqüila sabendo que há um lugar especial para mim, uma “inadequada”, nos braços do nosso Pai.            
  
Para meditar: Salmos 121, Isaias 51.3, 57.15
Canção de oração: Above all else - Vicky Beeching (tradução aqui)

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