domingo, 19 de junho de 2011

19º. Dia – Hora de cortar o cordão umbilical

E deixará o homem seu pai e sua mãe...”
Gênesis 2.24


           Com o casamento aprendi 3 coisas: 1) Todo mundo tem uma história com sogra 2) É preciso ter fé. 3) Normalmente o jovem é preparado para  se casar, sair de casa, mas os pais nem sempre estão preparados para deixarem o filho ir.
           Quando nos preparamos para casar, percebi que minha mãe me “liberou” o mais rápido possível. Talvez por ser um momento novo e difícil onde eu não estaria mais em casa vivendo com ela e meu pai, ela prontamente arrumou minhas coisas para eu levar para minha nova casa. O quanto antes eu levasse meus objetos pessoais melhor pra ela e pra mim (até achei meio estranho!). Meu pai também acabou ficando mais emotivo com minha saída. Com o Renato, minha sogra agiu diferente: ela sempre arrumava um motivo para irmos lá. Nos convidava sempre para almoçar com ela e ao ir em sua casa ela sempre fazia o “prato preferido” do Renato. Antes de deixá-lo ir embora, ela ainda mandava frutas e guloseimas que ele adorava, como se eu não estivesse cuidando bem dele e interessante que quando ele era solteiro, esse cuidado ele não recebia dela.
         Nas primeiras semanas do nosso casamento, ela ainda mandava mensagens no celular dele dizendo:”Vem comer doce aqui em casa” ou “Hoje fiz baião de dois pra você”. Eu só olhava com aquela cara que dizia: “Bem, já escolheu onde quer almoçar?”..rs. Foi meio difícil para mim porque sou bem introvertida. Eu sou aquele tipo de pessoa para você pensar: “com ela eu posso ir até aqui”. Foi difícil para o Renato porque ele deve ter se sentido dividido, mas apesar de tudo, ele sabia qual era o novo papel dele. Mas entendi também que era difícil para minha sogra também. Ela é separada e o Renato é o mais velho entre 3 irmãos. Quando o pai deles os deixou, o Renato assumiu o papel de “homem da casa” e as responsabilidades que um pai deveria ter, ele teve que assumir logo na sua adolescência. Para minha sogra, ele não era só o “filho mais velho”, ela via nele a figura do marido que ela não tinha mais.
           Para minha sogra foi difícil assimilar a idéia de que o Renato teria sua própria família (e olha que ainda ele tem 2 irmãos que moram com ela!). Quando eu era solteira, mesmo sendo criada de forma mais independente meus pais trabalhavam o dia todo e assim eu cuidava do Dudu, meu irmão mais novo. Eu era quase a “mãe” substituta e isso também me fez amadurecer mais rápido também. Para mim era difícil deixar o papel de “mãe”, mas nesse tempo Renato e eu, já juntos, aprendemos uma valiosa lição: Nossos pais tiveram a chance deles e agora temos a nossa.
           É aqui que talvez muitos casais errem e muitos solteiros não se preparam. Quando a gente casa, nossa família não é mais nossos pais e sim nosso cônjuge. Os pais passam a ser nossos parentes e aqui existe uma linha muito tênue entre um e outro. Não devemos viver separado deles, mas independentes para termos um casamento maduro.
         Meus pais não são de se intrometer em nossas vidas. Graças a Deus que mesmo eles não sendo ainda convertidos, eles souberam me criar com princípios e valores que me abençoam. O Renato também teve uma criação diferente que fez ele ser o homem que é hoje. Acho que juntos temos uma riqueza ainda maior de valores que passaremos para nossos filhos. Minha sogra é uma benção, vejo-a como parte fudamental da nossa família e assim como meus pais, é impossível imaginá-los fora das nossas vidas.
         Você que quer se casar ou está casado, não carregue uma responsabilidade que não é mais sua. Nossos pais tiveram a chance deles e se não deu certo pra eles, viva você a sua chance e a faça dar certo!
     Pessoalmente, eu acredito que pais e filhos podem ter um bom relacionamento respeitando a individualidade de cada um. Um filho que se casa e não consegue cortar o “cordão umbilical’ para se unir ao seu cônjuge, tem grandes possibilidades de ter problemas no seu casamento. O mesmo vale para os pais. Os filhos precisam ser liberados por eles para a nova vida de casados, inclusive, para amadurecerem.
         Conhecemos um casal recém casado que está aprendendo a “separar” a vida deles da vida dos parentes (dos pais). Uma vez conversando com eles, entramos num assunto sobre família e as diferenças que haviam entre eles, desafios, etc. De repente, de forma imperceptível eles quase brigaram por problemas que nem eram deles e sim dos parentes. Eles estavam deixando com que os problemas de parentes interferissem na vida conjugal deles e isto acontece de forma bem sutil. Renato e eu percebemos isto e comentamos com eles.
       Também conhecemos outro casal que ainda não entregaram a vida deles para Jesus, cuja sogra de um deles mora com eles. Tudo o que eles fazem, todos os passeios são feitos junto com a sogra. Você deve imaginar se há conflitos neste casal. Sim, e muito provavelmente se eles não chamarem Jesus para direcionar esta casa, se eles não tiverem um tempo só deles, se eles não souberem separar as coisas, este casamento muito provavelmente estará condenado.
      Como você pode ver casar não é apenas se preparar muito para um dia ou noite de cerimônia e você não se casa só com o seu cônjuge. De brinde você ganha muitos parentes e para tudo correr bem é preciso administrar os relacionamentos com disciplina, equilíbrio e amor. O casamento começa mesmo quando a lua de mel, após a cerimônia, acabou.
Para meditar: Gênesis 2.24, Provérbios 14.1, 31
Canção de oração: Walk by faith - Jeremy Camp

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