sexta-feira, 6 de julho de 2012

Diário de Oração: 30º Dia - Síndrome do patinho feio


          Amanhã termina nossa jornada do coração e Deus me trouxe a memória algumas coisas de quando eu era mais nova que me fez crer que eu devesse escrever antes de terminar o diário.  Quem nunca se sentiu assim: diferente, inferiorizado, o esquisito da turma, talvez a palavra seja... feio (pronto falei!)? Se você já foi como eu, algum dia falou para si mesmo "Ele nunca vai olhar pra mim...". Quando entramos na adolescência parece o sentimento é pior! Vamos a escola, vemos aquelas meninas "Barbie", e pensamos: “uau como ela eh linda... por isso é a garota mais popular da escola!”
          Comigo não foi diferente. Quando eu era adolescente eu também me sentia assim. Lembro que eu era bem tímida e ia sempre para o colegial usando uma saia longa marrom, blusinha de manga comprida vermelha e calçado tipo “papete” preta enquanto todo mundo da minha idade usava roupas descoladas.
          Meu grupo era o dos nerds e era o grupo dos "esquisitos" composto das seguintes pérolas: Uma menina de cabelos crespos, morena e de aparelho fã da matemática. Outra, tinha um nome de flor, muito alegre mas que cheirava peixe, outro estilo Bad boy, o "cara mais velho" que não fazia nada e por fim, eu, com  meus cabelos bem armados, sombracelhas que pareciam mais com 2 taturanas na testa, e mais tarde,  com aparelho. Ai que ódio das meninas do filme "As patricinhas de Beverly Hills"! Meu visual de fato foi marcante e meu colegial foi mesmo inesquecivel! Rs
          Quando vi o carinha mais lindo da escola, pensei profundamente "puxa ele bem que poderia ser meu namorado" pois eu era a "garota legal", então isso valia alguma coisa. Esse carinha seria o Clark Kent que conhecemos hoje e acreditem, nos tornamos muito amigos. Mas ele me fez cair na real e me disse "Jack, gosto de você como amigo". Essa é a pior frase da juventude!
          Quase ninguém (exceto um outro amigo na época) me comparava com outras meninas. Ele queria que eu fosse uma daquelas loiras saradas, gostosonas e surfistas modernas pois para a decepção dele, eu era um palito e não sabia nadar.
         Bem, acho que no fundo, eu era quem mais cobrava de mim mesma e queria um dia me tornar uma Barbie como as outras meninas mas eu aprendi que Deus não queria que eu passasse a vida lutando para me aceitarem, sendo alguém quem não sou. Ao  longo dos anos, na minha caminhada com Deus, Ele foi me mostrando os verdadeiros valores, a verdadeira identidade e beleza que Ele busca em todas nós e me levou a Provérbios 31.  Claro que enquanto eu via as Barbies na minha escola e depois mais tarde na faculdade, Provérbios não me consolava. Entretanto, acreditei neste texto e  um dia aquelas palavras abriram meus olhos para eu me aceitar, me amar e crer que Deus não me via como as outras pessoas. Acho que uma outra coisa que me ajudou a me libertas dessa síndrome do patinho feio foi quando me casei porque quando o Renato me conheceu eu ainda era um palito, ainda tinha as “papetes” e usava aparelho, mas ele gostava de mim assim.
          Eu acho que todo mundo um dia já sentiu um pouco o que é ser patinho feio. A história do patinho fala de um cisne chocado no ninho de uma pata. Por ser diferente dos demais irmãozinhos,  ele sofre e é humilhado por todos os patos vizinhos. Ele aguentou tanto que um dia foge do ninho e nesta jornada de lugar em lugar, é mal recebido em todos até que chega a primavera, ele abre as suas asas, e se une a um grupo de cisnes, onde lá se torna o mais belo e reconhecido de todos.  Essa história também me lembrou a vida de uma borboleta: antes de ela ser uma linda e colorida borboleta, ela é uma lagarta horrível que entra em processo de transformação. Se você se sente assim, fique tranquilo que em Deus essa fase vai passar e quem gostar de você, gostara de você pelo que é.
          Chega uma hora que gente precisa se gostar se quisermos que outros gostem da gente. Não podemos amar aos outros se não amarmos a nós mesmos. Mais do que a aparência,  também temos habilidades dadas por Deus que nos tornam únicos.
          Anos mais tarde, no dia do meu casamento, meu amigo Clark Kent já estava casado e mal acreditou quando me viu de noiva. Senti aquele gostinho de "bem feito pra você" rs. Acho que pra ele, eu era  uma linda borboleta ou cisne bem grande na sua frente! rs

Curtiu o Blog? Registre aqui!